MILAGRE NO CERRADO NOTÍCIAS: ENTREVISTA DO PRESIDENTE DA FAPCEN COM ANDRÉ ARIOLI NO MOMENTO AGRÍCOLA

Um líder que traduz sustentabilidade no Brasil produzindo alimentos mesmo em condições adversas

Entrevista com Paulo Kreling – Presidente Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte e Vice-Presidente da Federação Brasileira do Plantio Direto na Palha pelo Estado do Maranhão

Programa Momento Agrícola com André Arioli Silva

-Como é a produção de soja aqui no Maranhão?

Bom dia! Realmente, aqui produzir soja é um desafio constante, a gente tem vários entraves aqui, a questão logística, a questão ambiental, mas nos últimos anos a gente conseguiu uma evolução muito grande dessa parte toda de infraestrutura, que Balsas hoje só está aguardando, já merece a mais tempo um voo regional, para que a gente não precise fazer 400 km para pegar um voo em Imperatriz, mudou bastante, eu já estou aqui a 21 anos e a FAPCEN iniciou um trabalho muito grande aqui na região, um convênio com a Embrapa inicialmente, e é onde começou a desenvolver os materiais adaptados para a nossa região aqui do sul do Maranhão, antes não tinha material, as produtividades eram baixas e ai então nasceu a tal da Sambaíba, então foi onde eu abri o meu cerrado com a Sambaíba e no primeiro ano a gente já conseguiu uma produção de 49 sacos por hectares.

-Quantos hectares de soja de produz aqui na região de Balsas, Paulo?

Aqui na região de Balsas está em torno já de 800 mil hectares. O Maranhão hoje já produz mais de 1 milhão de hectares, está na faixa de 1 milhão e 200 ou 1 milhão e 300 e o Maranhão está crescendo, o Maranhão tem um potencial muito grande, a gente acredita nessa região, o potencial é grande, nós só precisamos de um apoio maior por parte do governo do estado nessa parte de infraestrutura, o resto nós da iniciativa privada, a gente faz e acontece.

-Nem todos os produtores maranhenses ainda fazem a segunda Safra de Milho, como é essa questão? Você acha que isso vai crescer por aqui também?

Vai sim, só que por aqui tem uma particularidade, tem regiões aqui que não permite fazer a safrinha, a segunda safra, em função do clima, a região que estou na Serra do Penitente é uma região fantástica para a segunda safra, do milho (safrinha), ela tem altitude, em torno de 600 metros, tem a região dos Gerais de Balsas, que é a Batavo, tem várias regiões que permitem a safrinha e vem crescendo ano a ano. O que limita nós na safrinha aqui nessas regiões que você tem clima favorável é a tua capacidade operacional de plantio e colheita rápido, porque se você não tem esse dimensionamento de operacional eficiente, capacidade boa, você não consegue. Eu já vou para o quarto ano, que eu consegui me estruturar para isso, que trabalhei para isso, que faço 100% da minha área de safrinha, através de tecnologia, equipe treinada, comprometida, motivada.

-Você também é vice-presidente da Federação Brasileira do Plantio Direto na Palha pelo estado do Maranhão, que faz e fez um grande trabalho de plantio direto Brasil afora, vocês mostraram isso para os americanos aqui, eles estão bem informados a respeito da importância que a gente dá para a sustentabilidade que a gente dar para o plantio.

Exatamente, eu estou como Vice-Presidente da Federação Brasileira do Plantio Direto na Palha pelo Estado do Maranhão e a federação vem fazer um trabalho fantástico nos últimos anos, o plantio direto já existe a 52 anos no Brasil, nós temos o pai do plantio direto seu Herbert Bartz, Franke Dijkstra, “Nonô” Pereira, dá pra citar vários que graças a eles houve uma revolução na agricultura brasileira, então se não fosse o sistema Plantio Direto nós não estaríamos hoje, aonde nós chegamos, que viabilizou, nós estamos produzindo hoje com responsabilidade e sustentabilidade através desse sistema de plantio direto, que você conseguiu reduzir custos. Um sistema que se você não investir hoje em tecnologia, em palhada, em material genético, ele vai ficar para trás, não vai ter as produtividades. Hoje estou colhendo acima de 70 sacas em média na minha lavoura, minha meta agora é chegar nas 80, cheguei nos 70 e vamos chegar nas 80, e vamos indo. Material genético hoje tem potencial para isso.

 

-Você mostrou um slide da sua propriedade muito interessante. Que vocês já tiveram uma seca aqui no Maranhão no ano passado, esse ano está mais desafiador ainda porque eu vi soja recém-plantada, como não tem segunda safra, o pessoal não arriscou muito de plantar soja mais no cedo, esperou chover, tem lavoura boa, tem lavoura ruim, mas você lá com a palhada teve uma diferença. Conta para nossos ouvintes qual foi.

Hoje aqui no nosso estado, no Maranhão, nós temos duas realidades em função do fenômeno El Niño, nós tivemos poucas chuvas no início, mês de outubro eu larguei o plantio com 20 mm, no dia 28 de outubro, teimei meu plantio dia 04 de novembro, novembro deu só 180 mm de chuva, dezembro 138 mm e agora até o dia 11 de janeiro nós estamos com 120 mm. Esse produtor que vem investindo ao longo dos anos em perfil do solo, palhada, tecnologia, material genético e uma equipe consolidada, eficiente e comprometida, ele vai ter uma produtividade boa, agora aquele que não fez a lição de casa, vamos dizer assim, ele não vai ter a mesma. Esse ano vai ser um ano de mostrar o diferencial grande, o que é o sistema de plantio direto. Então tem produtores que vai colher 60 sacos e tem aquele que vai colher 30, que não fez a lição de casa, que não investiu no solo, não vai ter grandes produtividades. Como dizia nosso saudoso Dr. Dirceu Gassen ‘que a produtividade ela é proporcional ao investimento que você faz por hectare’. Então depende da tecnologia que você usar vai ter uma produtividade X. Esse é o básico, fora o que ele dizia sempre, que nós temos que seguir ele, que para nós termos sucesso temos que fazer tudo bem feito, na hora certa, com capricho, com conhecimento técnico e com paixão, tem que gostar do que faz.

-Paulo, agora vamos falar de uma outra ação que a FAPCEN faz aqui na região, que é o Agrobalsas. A feira de produção agrícola, como é que funciona?

A Agrobalsas é a maior feira de agronegócio aqui do Maranhão e o objetivo principal dela é a difusão de tecnologia. Aqui a gente tem desde o pequeno, médio e grande produtor, ele vem para cá para ver novas tecnologias, se atualizar, o que existe de mais modernos hoje, não só na área de tecnologia de maquinas, mas material genético, questão hoje de drones, agricultura de precisão. Hoje nós somos Ns, agora o mais importante que saiu é você conectar as maquinas através da Starlink. A John Deere está lá fazendo um convênio lá com a Starlink para você ter suas máquinas conectadas, então a evolução disso foi muito grande. E muitas coisas saíram aqui do Agrobalsas para o agricultor praticar depois nas suas propriedades. Para ele ver o que ele tem para melhorar, o que ele pode melhora, para buscar sempre uma produtividade melhor. Ele tem que ir atrás de conhecimento, de informações para que ele possa ter sucesso na sua atividade. Ele tem que dominar da porteira para dentro. Da porteira para fora ninguém domina esse mercado está aí muito dinâmico toda hora as commodities estão oscilando.

Considerações Paulo Kreling: “Realmente, acho que eles ficaram surpresos com tudo que a gente tem feito aqui nos últimos anos, essa evolução tecnológica, o cuidado que a gente tem com o solo, o bom manejo com as práticas agronômicas, isso vai dar sustentabilidade, uma produção de soja responsável. Isso vai levar para eles, o que o Brasil já produzindo, como o Brasil tem conseguido esses altos tetos de produtividades, porque hoje a gente não perde nada para eles em produtividade. A gente vem fazendo nossa parte e sempre vai fazer o melhor, tentar evoluir cada vez mais e tendo que buscar altos tetos produtivos, para isso temos que fazer nossa lição de casa.

 

Texto do Programa “Momento Agrícola” com André Arioli